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O Filtro de 03 de Dezembro
Caros leitores,
A partir de hoje as atualizações de O Filtro estarão disponíveis somente no endereço www.ofiltro.com.br.
A intenção é colocar antes das 8h uma lista sucinta com as dez principais notícias dos jornais do dia.
Entre 9h e 10h30, serão colocadas no ar os comentários das notícias mais relevantes, mas não todas de uma vez como antes e, sim, em blocos.
Esperamos que estas mudanças tornem o blog melhor, mais forte e mais rápido.
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O Filtro de 30 de Novembro
O Brasil que anda Reportagem de Cibelle Bouças no Valor adianta que a pesquisa do IBGE a ser anunciada na próxima semana irá apontar um aumento entre 8% e 10% na produção industrial de outubro sobre 2006. Esta expectativa levou analistas a projetarem para o ano um crescimento na produção industrial brasileira superior a 5,5%, o melhor resultado desde 2004. Será o quarto ano consecutivo de crescimento na indústria. Ontem, relata O Estado, o presidente mundial do grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, anunciou investimentos de US$ 5 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. O grupo ArcelorMittal - dono no Brasil das operações das siderúrgicas CST, Belgo Mineira, Vega do Sul - espera quase dobrar a sua capacidade de produção.
Em excelente entrevista a O Globo, o investidor Eike Batista criticou a falta de espírito capitalista dos empresários brasileiros. "Eles não têm cultura de risco", diz Eike, que na segunda-feira pagou mais de R$ 1,5 bilhões pelo direito de explorar blocos de gás na costa marítima. Eike ainda ironizou as constantes reclamações dos empresários sobre carga tributária. "Então manda eles para o Canadá...Quando todo mundo estiver pagando a conta, aí você vai ver todo mundo se organizar. É que aqui a maior parte não paga", diz.
E o que Brasil que precisa andar Duas pesquisas divulgadas ontem retratam o descalabro na educação básica dos brasileiros. A Folha e O Globo destacam a classificação feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) em que os alunos do Brasil ficaram em 52º lugar entre 57 países em testes de aprendizado de ciências. As provas realizadas com adolescentes de 15 anos revelam deficiências de vão da falta de laboratórios nas escolas e ausência de professores com formação em Biologia e Química ao fato de que um terço dos alunos do ensino médio no Brasil já repetiu de ano. O concurso (do qual não participaram Índia, China e África do Sul) coloca o Brasil logo atrás da Argentina e à frente apenas da Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão.
Uma segunda pesquisa, da Unesco, mostra que existem 15 milhões de adolescentes e adultos analfalbetos no Brasil. Isso significa que dois de cada cinco analfabetos da América Latina são brasileiros. À BBCBrasil, o coordenador do laboratório para avaliação de qualidade do ensino, Javier Murillo, disse que a repetição escolar (27% entre 1999-2005) é o principal problema na escolaridade dos brasileiros.
Os juros não caem A repórter Cristiane Perini Lucchesi, do Valor, crava que o Banco Central vai deixar os juros Selic estáveis em 11,25% ao ano na sua reunião da semana que vem. Ouvindo especialistas, ela concluiu que a dúvida é se o BC só vai cortar a Selic em abril de 2008 ou deixar os juros no atual patamar até 2009! A justificativa (como se os diretores do BC se preocupassem em dar pretextos para o seu conservadorismo) é a instabilidade no mercado americano.
Um minuto de diversão para provar que, sob tortura, as estatísticas confessam o que você quiser. A edição de hoje da revista The Economist traz um gráfico sobre a queda dos juros americanos. Enquanto o BC americano cortou 0,75 ponto base neste ano, o da Noruega aumentou 1,5 ponto. Pelo gráfico, o Brasil é o campeão mundial de derrubada de juros - com corte de 1,5 ponto no ano. Quem não conhece, até compra esse BC.
A constituinte do PT A reportagem da Folha sobre a proposta de Assembléia Constituinte exclusiva defendida pelo PT não avança na substância, mas é reveladora nos adjetivos. Traz um ato-falho imperdível do deputado petista Maurício Rand, provável líder do partido na Câmara no ano que vem: "Primeiro o povo vai dizer se quer ou não a Constituinte. Se quiser, a Constituinte é que vai dizer o que ela vai votar. A oposição vai criar confusão com tudo o que fizermos. A sombra é o terceiro mandato. O povo quer o terceiro mandato. Mas nós não vamos fazer isso, nem se o povo quiser. Há regras do jogo que precisam ser respeitadas. Nós [o PT] não queremos o terceiro mandato e não faremos o que eles fizeram [a emenda da reeleição]", disse. Ahan, sei.
Quem tem medo da CPMF? Em um de seus piores arroubos dos últimos tempos, o presidente Lula afirmou ontem em discurso que quem trabalha contra a prorrogação da CPMF são os sonegadores e o Democratas. "Eles é que têm medo da CPMF, porque é o imposto que vai detectar quem é que está sonegando", disse, segundo O Estado. Lula afirmou que o Democratas (que ele continua chamado de PFL) está contra a CPMF "porque é um partido sem perspectiva de poder". Por esse raciocínio, o PT só fazia o que fazia nos anos noventa porque não tinha votos para chegar ao Planalto.
Lula está no Rio para receber uma "manifestação espontânea" pró-CPMF, como noticiou o blogueiro Ricardo Noblat. Antes, cercado por um megaesquema de segurança envolvendo as polícias Militar e Federal e as Forças Armadas, Lula sobe o morro do Cantagalo para anunciar a liberação de R$ 35 milhões. Apesar do esquema, a assessoria da Presidência negou à Folha que o tráfico no Cantagalo seja uma preocupação.
A tragédia do Pará. Agora, por R$ 100 Três deputados federais receberam a gravação em celular de uma mulher nua, dentro do banheiro da cela da delegacia de Abaetetuba sendo violentada. "Pelo corpo pequeno e magro e os cabelos curtos, cortados, não tenho dúvida de que era ela", disse Luiza Erundina (PSB), se referindo à adolescente L. Brasil, de 15 anos, que passou 26 dias presa entre homens em Abaetetuba. Os deputados tiveram acesso às imagens após um assessor da deputada Eunice Barbalho (PMDB), localizar um homem que estava vendendo as gravações por R$ 100, informa a Folha. O que a governadora Ana Júlia (PT) tem a dizer sobre o que acontece nas delegacias do seu Estado? Talvez que esteja "chocada". Sabe-se apenas que ela irá a São Paulo para receber um prêmio como uma das mulheres mais influentes do Brasil. Realmente, a influência da governadora é de assustar qualquer um.
Minas e Energia Agentes da PF que cruzaram os dados da investigação e reconstituíram algumas diligências da Operação Navalha avaliam que o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau deve estar entre os denunciados, pois persistiram os indícios de seu envolvimento com o caso, informa O Estado.
Várias O pequeno investidor de varejo que fez pedido de reserva entre R$ 5.000 e R$ 300 mil para as novas ações da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) ficou com apenas R$ 1.820 em papéis, informa a Folha.
Análise de dados do censo americano indica que 33,4% dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos vivem na margem da pobreza, aponta a BBCBrasil. O Brasil é o 24º país com maior número de imigrantes nos Estados Unidos. Entre os imigrantes brasileiros, 26,9% não teriam ensino primário completo, e 31,4% não teriam completado o ensino superior.
Os executivos que assumiram a direção da Cervejaria Schincariol deram entrevistas ontem pela primeira vez depois que a empresa foi acusada de sonegação fiscal. A melhor reportagem está em O Estado que arrancou do executivo Fernando Terni o seguinte raciocínio sobre a intenção da família de vender a cervejaria. "Essa história de que a SABMiller quer nos comprar nos enche de orgulho.Se a família quiser vender, não faltará comprador. Mas não fomos contratados para isso", disse. Ou seja: faça a sua oferta.
Os deputados federais decidiram estragar o que está indo bem e aprovaram ontem a geração de voto impresso na urna eletrônica. O projeto estabelece que o voto será impresso na própria urna para conferência visual do eleitor após o registro eletrônico sem, no entanto, permitir o contato manual com o papel. Ótimo, assim os coronéis vão poder conferir se seus apaziguados realmente votaram no seu candidato. Um passo para trás mostra reportagem de O Globo.
O plenário do Senado aprovou em votação simbólica a volta do imposto sindical, a taxa que tira o equivalente a um dia do seu salário para entregar aos sindicatos. Pela proposta, dos R$ 490 milhões arrecadados com esse imposto, 10% ficam com as centrais sindicais, informa O Globo.
Bela reportagem de O Globo mostra como andam as eleições para presidente do PT no Piauí. O candidato do governador Wellington Dias, Fábio Novo, usou dois aviões na sua campanha. A sua explicação: "O regulamento interno veda a contratação de aviões, mas não estabelece punição. Estou tranqüilo", disse. Ah, bom. Nada como um sujeito tranqüilo.
(Atualizado às 11h30)
Se não houver contratempo, na segunda-feira O Filtro entra numa nova fase. A minha intenção é colocar no endereço www.ofiltro.com.br antes das 8h uma lista sucinta com as dez principais notícias dos jornais do dia. Entre 9h e 10h30, coloco no ar os comentários das notícias mais relevantes, mas não todas de uma vez como hoje e, sim, em blocos. Como num seriado dos anos 70, espero que isso torne o blog melhor, mais forte e mais rápido. E vamos ao trabalho. Abs, ttraumann@edglobo.com.br
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O Filtro de 29 de Novembro
As veias abertas São três conflitos diferentes, mas com origens similares e uma lição importante para o Brasil. Na crise mais vistosa, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações com o governo colombiano. "Enquanto o presidente Uribe for o presidente da Colômbia, não terei nenhum tipo de relação nem com ele nem com o governo da Colômbia", declarou Chávez, em boa cobertura do enviado de O Estado, Lourival Sant'Anna. O pretexto é o fato de a Colômbia ter descartado a participação de Chávez na negociação pela liberação de seqüestrados dos guerrilheiros das Farc. Pura cortina de fumaça. Sob ameaça real de perder o referendo constitucional de domingo, Chávez está buscando um inimigo externo para reunificar em torno de si o voto nacionalista. E a Colômbia é um alvo perfeito pelas históricas tentativas (e fracassos) de Bogotá em criar um país único no norte da América do Sul.
A segunda crise é da Bolívia, também envolvida numa polêmica reforma constitucional. Uma greve geral paralisou ontem os departamentos de Santa Cruz e Chuquisaca, os mais ricos do país e centros da oposição ao governo de Evo Morales. Em Tarija, Beni, Pando, Cochabamba, a greve se concentrou apenas nas cidades, mostra o enviado especial de O Globo Ricardo Galhardo. A paralisação foi um protesto contra a aprovação, no sábado, de um projeto de Constituição sem a participação dos parlamentares opositores. O país está dividido. Os departamentos produtores de gás natural na fronteira com o Brasil querem mais autonomia, talvez até a criação de um novo país. O presidente Evo Morales quer a distribuição do dinheiro do gás pelo país, especialmente nos seus redutos eleitorais indígenas. No fim-de-semana, quatro pessoas morreram em confronto com a polícia em um protesto em Sucre, a cidade que até a semana passada era o palco dessas reuniões constituinte. Longe de Sucre e dos oposicionistas, os deputados ligados a Evo aprovaram a retirada de verbas e expropriação de terras dos Estados produtores de gás.
Por último, o presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou ontem que colocará seu cargo à disposição em apoio aos trabalhos de uma Assembléia Constituinte com "plenos poderes". Antecipando-se ao início dos trabalhos da Constituinte, o Congresso equatoriano declarou que entrará em recesso por um mês. "É agora ou nunca, se dessa vez não conseguirmos que o país mude radicalmente de maneira pacífica, na próxima vez o povo vai querer fazer mudanças de formas violentas", disse o presidente.
Agora, a lição. A diplomacia brasileira finge que o país é um líder regional, que merece um lugar nas negociações mundiais, mas o que está fazendo para evitar essa crise geral no continente? A idéia de não-intervenção no assunto dos vizinhos é muito bonita quando os países estão em crises digamos "normais", mas essas têm reflexos diretos na democracia do continente. Quem garante o abastecimento de gás no Brasil se houver uma guerra civil na Bolívia? E por que o Brasil não tenta mediar a crise entre Bogotá e Caracas? Qual a posição do "líder" Brasil com a óbvia interferência do chavismo no Equador? Líderes têm que liderar. E não se omitir.
"Vivia no inferno" Surgiu ontem mais um caso de abuso sexual de mulheres presas em celas com homens no Pará. Deputados federais que integram a CPI das Prisões ouviram o depoimento de uma mulher que declarou ter ficado três anos com homens na delegacia de Cametá e ter engravidado duas vezes desde que foi presa em 2003. "Vivia no inferno. Eles queriam fazer sexo comigo e ameaçavam me matar. Nem eu sei quem é o pai da criança", disse a mulher, em reportagens de O Estado e da Folha. Questionada pela CPI, a delegada-corregedora responsável pelo interior do Estado, Elcione Moura, disse que o caso de L. Brasil, de 15 anos, violentada por presos na delegacia de Abaetetuba (PA), foi a única denúncia recebida e que tudo o que chega é apurado. "Essa é a primeira vez que algo assim chega ao nosso conhecimento", disse Elciona que está há onze meses no cargo. Ontem, um dia depois de chamar L. Brasil de débil mental, o delegado-geral do Pará, Raimundo Benassuly Maués Júnior, pediu demissão. A governadora Ana Júlia Carepa (PT), que até agora não pediu desculpas à garota violentada com a conivência dos seus policiais, agradeceu ao delegado por 'serviços prestados'. Bem, se Ana Júlia acha que Benessuly tem "serviços prestados" ao povo do Pará já está na hora de se pensar numa intervenção federal no Estado.
O riso de Renan A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem, por 17 votos a 3, o envio ao plenário do parecer do senador Jefferson Péres (PDT-AM) que recomenda a cassação do mandato do presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar. Na prática, a decisão da CCJ foi protocolar, como bem descreve Ana Paula Scinocca em reportagem de O Estado: "Lista em mãos, sorriso largo, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, comemorava, por antecipação ontem, sua absolvição em plenário. De toda a base do governo, Renan acredita que apenas dois senadores - Eduardo Suplicy (PT-SP) e João Durval (PDT-BA) - vão votar por sua condenação". Será interessante conferir a atuação do PT e Aloizio Mercadante nessa votação.
Dias melhores virão Lendo os jornais muita gente fica com a impressão de que temos a 'alma de vira-latas', para usar a expressão de Nelson Rodrigues. Para os ressentidos profissionais, o Brasil parece estar sempre devendo a si mesmo, inferior aos outros e condenado à mediocridade eterna das briguinhas entre petistas e tucanos. É verdade que dá raiva ver o que acontece no Pará ou no Senado, por exemplo, mas é fato que o mundo não vai desabar sobre as nossas cabeças. Dados do Banco Central mostram que 'nunca na história desse país' tantas empresas estrangeiras investiram no Brasil. Até ontem, o fluxo de investimentos em 2007 estava em US$ 33,4 bilhões, o dobro do observado no mesmo período de 2006. Ao contrário dos anos 90, esse dinheiro não veio das privatizações, mas de investimentos como o da ArcelorMittal que colocou US$ 5 bilhões a sua filial brasileira, mostra a Folha."Esse capital tem um perfil positivo porque cerca de 70% dos recursos são destinados para expansão de unidades ou construção de novas", disse a O Estado o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima.
A negociação da CPMF A troca de Walfrido dos Mares Guia por José Múcio no Ministério da Articulação Política deu um novo fôlego ao governo nas negociações para aprovar no Senado a prorrogação da CPMF. Ontem, os senadores do PDT anunciaram voto pró-CPMF em troca de uma promessa realmente importante, o aumento de quase R$ 2 bilhões em verbas para a Educação. Mas a situação é tão confusa que permite reportagens opostas. A Folha apóia sua cobertura nas contas da oposição de que, além dos 27 senadores da oposição (14 do DEM e 13 do PSDB), cinco senadores da base governista votarão contra a CPMF: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Expedito Júnior (PR-RO) e Romeu Tuma (PTB-SP). O sexto voto seria de José Nery (PSOL-PA). Já O Estado afirma que "mingua a cada dia o grupo rebelde do PMDB do Senado contrário à prorrogação da CPMF. O time chegou a reunir 6 dos 20 senadores da bancada peemedebista, mas encolheu para 4. E mais: o grupo está na iminência de se ver reduzido a uma dupla: Jarbas Vasconcellos (PE) e Mão Santa (PI)". Jefferson volta a atacar O site de Época revela que o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, está tentando envolver o presidente Lula no processo do mensalão. Um dos 40 réus do processo aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar o esquema, Jefferson pede em sua defesa que a Corte se manifeste sobre uma eventual participação do presidente. Para o ex-deputado, responsável pelas denúncias que detonaram a crise, em 2005, houve "óbvia co-participação" de Lula no mensalão.
A crise da TAM O executivo Marco Antonio Bologna deixou ontem a presidência da TAM, informa a Folha. Na gestão Bolgna, a empresa perdeu mercado doméstico para a Gol, deixou que as companhias internacionais assumissem o espaço vago pela Varig, promoveu um caos aéreo no natal passado por overbooking, deixou cair a qualidade dos serviços e não atendeu satisfatoriamente as famílias das vítimas do acidente no aeroporto de Congonhas. A pergunta é porque ele demorou tanto.
Várias Pelo menos 25 pessoas foram presas entre fiscais de renda da Secretaria de Fazenda do Rio, contadores, empresários e colaboradores de um esquema de corrupção. O caso lembra o Propinoduto, esquema montado por fiscais do Estado e da Receita Federal do Rio e empresários para cobrar propinas, mas o valor das fraudes desta vez chegaria na casa do R$1 bilhão, informa O Globo.
Os funcionários e aposentados de Furnas Centrais Elétricas derrotaram ontem um avanço não muito republicano do PMDB carioca sobre o fundo de pensão dos funcionários. Por seis votos a zero, o Conselho Deliberativo do Real Grandeza, fundo de pensão de Furnas, rejeitou a proposta de substituição do presidente e do diretor de investimentos do fundo, que gere uma carteira de R$ 4,8 bilhões, noticia O Globo.
Três funcionários da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foram assassinados em Rondonópolis (MT). A pró-reitora do campus da cidade, Sorahia Miranda Lima, o prefeito da unidade, Luís Mauro Pires Russo, e o professor do curso de Zootecnia Alessandro Luís Fraga foram mortos a tiros por um homem encapuzado. O Estado mostra que o triplo homicídio pode ter relação com a disputa pela universidade de um terreno confiscado pela Justiça Federal. A área pretendida pela UFMT teria sido adquirida pelos criminosos do PCC com parte dos R$ 164,7 milhões roubados do Banco Central de Fortaleza, em 2005.
A possibilidade de um novo corte na taxa de juro dos Estados Unidos animou os investidores e os pregões destoaram do ritmo negativo dos últimos dias. O Dow Jones subiu 2,55% e o Nasdaq passou de 3% de valorização. A Bovespa recuperou 3,84% -seu melhor resultado diário desde 18 de setembro. Nesta quinta-feira, a Bolsa de Tóquio 225 aumentou 2,38%. O Hang Seng, de Hong Kong, expandiu-se 4,06% e, em Seul, o Kospi avançou 2,34%.
A Folha mostra que um ex-assessor do secretário de Desenvolvimento Regional e Política Urbana de Minas Gerais, Dilzon Melo (PTB), recebeu recursos do valerioduto tucano em 1998. Já são tantos assessores, ex-assessores, secretários e ex-secretários do governo mineiro envolvidos direta ou indiretamente no valerioduto mineiro que vai chegar a hora em que a notícia será quem NÃO está envolvido no caso.
(Atualizado às 11h30) |
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O Filtro de 28 de Novembro
O Brasil das estatísticas Um aforismo atribuído de Mark Twain a Benjamin Disraeli define a existência de três tipos de mentiras: "mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas". Por isso, cada vez que um órgão solta uma avalanche de números e gráficos, como foi o caso ontem do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), qualquer leitura é possível. Pelo quadro geral, pela primeira vez, o Brasil entrou na categoria dos países considerados de alto desenvolvimento humano pelas Nações Unidas. Para fazer parte desse grupo, é preciso ter IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) superior a 0,800 - numa escala que vai de zero a um. O Brasil ficou exatamente no índice mínimo, resultado de avanços reais no aumento de renda e da expectativa de vida nos últimos anos. Como seria de esperar, o presidente Lula soltou rojões.
Mas basta olhar para o lado para entender que a comemoração deve ser comedida. Como observa O Estado, foi a transferência de renda massificada pelo Bolsa-Família que empurrou o país para cima. A precariedade das políticas públicas de saúde, educação e saneamento não melhora significativamente a vida dos brasileiros.
A Folha mostra ainda que se forem comparados apenas as nações de alto desenvolvimento humano, o Brasil apresenta a maior desigualdade entre ricos e pobres. No índice geral, o país está em 70° lugar no ranking mundial, atrás da Argentina (38°), Chile (40ª), Uruguai (46ª), Costa Rica (48ª), Cuba (51ª) e México (52ª), entre os latino-americanos, informa O Globo.
A melhor avaliação é a da colunista Miriam Leitão, de O Globo: “esse é um processo longo. A educação, por exemplo, é um esforço que se planta numa década para só colher na outra. O mais importante é que governo nenhum faz sozinho a mudança, ela é coletiva e resultado do esforço de todos: governantes e governados”.
Petroeike O bilionário Eike Batista não lê as seções de economia dos jornais. Se lê, esquece. Se lê e não esquece, não dá a menor importância. Caso contrário, ele teria cancelado a sua participação no leilão de blocos de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP), levado pelo tom de indignação das recentes reportagens sobre a ameaça de mudança de regras no setor, favorecimentos à Petrobras e outras coisas horríveis que só o governo do Brasil é capaz. Eike, ao contrário, decidiu colocar U$1,567 bilhão na mesa e levar (junto com parceiros) 28 blocos para futura exploração de gás. De uma vez só, colocou mais dinheiro que as companhias estrangeiras juntas já investiram no Brasil nesses leilões. A Vale do Rio Doce, estreante na área de energia, ganhou nove blocos. Mais interessada no megacampo de Tupi– que pode aumentar em 50% as reservas brasileiras de petróleo – a Petrobras teve uma participação tímida, relata a CNN. Em entrevista aO Globo, Eike afirmou que a retirada dos blocos de Tupi “foi feita de maneira correta e não prejudicou o leilão”. Como Eike tem um histórico de ganhos financeiros superior aos dos jornalistas, talvez – just maybe – ele tenha razão. A menina chamada Brasil Demorou, mas o sensacional governo do Pará encontrou o culpado pelo estupro da adolescente L. Brasil, de 15 anos, mantida junto com vinte homens por quase um mês na cadeia da delegacia de Abaetetuba, no interior do Estado. A própria garota, lógico. Esse é o raciocínio de gente como o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Raimundo Benassuly. "Essa moça tem, com certeza, alguma debilidade mental, porque em nenhum momento ela manifestou sua menoridade", disse o delegado, durante audiência pública para discutir o caso no Senado. No momento da declaração do delegado, estavam na mesa a secretária de Segurança Pública do Pará, Vera Tavares, o promotor de Justiça do Pará Gilberto Valente, o presidente da OAB, Cezar Britto, e o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT). Nenhum deles se manifestou sobre a frase – apenas depois, pressionados pela imprensa. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), que quando estourou o caso preferiu ir almoçar com empresários no Rio de Janeiro, brigou com os repórteres quando soube da declaração do delegado. Até hoje de manhã, Benassuly continuava no cargo.
Ana Júlia, que gosta de se dizer “indignada como mulher” em relação ao caso de L. Brasil, foi com sua trupe a Brasília tentar arrancar quase R$ 90 milhões do governo para obras em presídios.O problema, revela O Globo, é que o Pará está impedido de receber dinheiro federal para financiar obras no sistema prisional desde outubro por suspeitas de corrupção em um convênio para a construção do Presídio Estadual Metropolitano III.
Uma semana depois do escândalo de L. Brasil, a imprensa já descobriu outros quatro casos de mulheres em prisões masculinas no Pará. Punições aos delegados, juízes e carcereiros? Nenhuma. Ameaçada de morte, a garota teve que fugir. O bispo de Abaetetuba, dom Flávio Jovenalli, no O Globo, preferiu defender a governadora (que assumiu o governo em janeiro!) e atacar a família da adolescente. “A jovem estava abandonada pela família. Ela foi presa oito vezes e ninguém da família nunca tinha ido à delegacia”, disse o bispo, que também não visitou a menina, mas por algum motivo se achou no direito de fazer considerações.
Na Folha, Ruy Castro compara o caso da garota de Abaetetuba com a de outra adolescente, essa de Qatif, na Arábia Saudita, condenada a seis meses de prisão e 200 chibatadas por ter sido estuprada por sete homens. Para o tribunal saudita, a culpa foi da própria moça por ter ido se encontrar num shopping com um homem "que não era seu parente". “Mas a desdita da garota de Qatif podia ser pior. E se ela tivesse de cumprir seus seis meses de prisão numa cela brasileira? Primeiro, L. foi jogada àqueles homens pela ação de uma delegada. A Justiça paraense levou 15 dias para descobrir que a menina estava na cela, mas a juíza a quem se informou do caso não tomou medidas efetivas para tirá-la dali. Com a história definitivamente à tona, a governadora do Estado admitiu saber que aquele não era o primeiro caso do gênero no Pará -embora, pelo visto, ainda não tivesse tomado providências para impedi-los de acontecer. Por sua vez, a titular de uma teórica Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com status de ministra, confessou que não sabia da existência desse problema em carceragens pelo país.Poderiam ser homens os protagonistas dessa insensibilidade tão brasileira -geralmente são- e seria tão grave quanto. Só faltam agora condenar L. a 200 chibatadas”, escreve Castro. A oposição vai ao ataque Com um mapeamento que contabiliza entre 33 e 35 votos para derrubar a prorrogação da CPMF, tucanos e democratas selaram acordo para desobstruir a pauta do Senado e acelerar a tramitação da emenda que prorroga o tributo. A intenção é fazer o governo Lula correr contra o calendário para conseguir angariar no mínimo 49 dos 81 votos para aprovar a CPMF até o final do ano – o que hoje parece improvável. Como mostra a Folha, o governo abriu a caixa de ferramentas de sempre. Só na semana passada, o governo liberou R$ 207 milhões em emendas de parlamentares. A primeira denúncia de que o governo estaria negociando com emendas partiu de Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que integra o grupo dos "rebeldes" do PMDB cujos votos para aprovar a CPMF são considerados incertos. Ele relatou ter sido procurado pelo subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcos Lima, para negociar a liberação de emendas. O Estado mostra que entre os peões do governo para cabalar votos pró-CPMF está o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele propôs ao senador Cícero Lucena (PSDB-PB), seu companheiro de partido, que se licenciasse do mandato para que o suplente Carlos Dunga, filiado ao PTB, votasse em seu lugar a favor do governo. Cícero Lucena recusou a idéia e manteve a posição contrária ao CPMF.
“Eu tenho, você não tem” Lula e Fernando Henrique Cardoso se conhecem desde os anos setenta. Já foram próximos (Lula apoiou a candidatura de FHC ao Senado em 1978, estiveram juntos nas Diretas Já e no Impeachment de Collor, foram adversários elegantes em 1994 e 98) e, no fundo, sabem da importância um do outro na história do Brasil. Então esse lenga-lenga dos dois parece briga de moleques de oito anos (sem nenhum demérito aos moleques de oito anos). Em entrevista ao Jornal da Record, o presidente Lula da Silva respondeu às declarações do ex-presidente , segundo a qual o país precisa ser liderado por quem fale "bom português", e não por "gente que despreza a educação, a começar pela própria”. "É verdade que ele teve mais anos de escolaridade que eu, mas é verdade que eu sei governar melhor que ele", declarou. No lançamento de um livro, FHC disse a O Estado “ele (Lula ) não consegue dar uma entrevista sem me dar uma agulhada e quer que eu fique calado?”. Tá bom, tá bom, agora os dois dêem as mãos e digam que são amigos. A fome do bispo O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, iniciou ontem uma nova greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco. Em 2005 ele permaneceu 11 dias em jejum e conseguiu paralisar as obras. "O governo prometeu suspender o projeto e debater com o população, mas a resposta foi o início das obras, usando o Exército", declarou à Folha. Ao Jornal da Record, Lula criticou o jejum. "O bispo me coloca em uma situação complicada. Porque eu tenho de escolher entre ele, que está fazendo uma greve de fome premeditada, e 12 milhões de nordestinos no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco e no Ceará que precisam da água para sobreviver. E não tenha dúvida que eu ficarei com os pobres". Sinceramente, duvido que o governo mantenha essa firmeza se o bispo passar mal. Várias Uma manobra do senador petista Sibá Machado (AC) paralisou ontem o já lento trabalho da CPI das ONGs. Aproveitando-se do baixo quórum, ele articulou para vetar requerimentos de convocação de Jorge Lorenzetti, ex-churrasqueiro do presidente Lula, um dos envolvidos no escândalo do dossiê Vedoin e um dos dirigentes da ONG Unitrabalho, que até setembro de 2006 recebeu R$ 19 milhões de órgãos públicos, informa O Estado. As tarifas bancárias poderão ficar congeladas por até um ano, segundo informou numa desastrada entrevista o diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini. Depois o governo gastou o dia tentando informar que não pretende intervir no mercado bancário, como mostra a Folha. A Companhia Vale do Rio Doce anuncia amanhã mudanças em sua marca, que deverá centrar o foco no nome pelo qual o grupo é conhecido no mercado: Vale, informa O Estado. O presidente do Wall Mart Brasil, Vicente Trius, anunciou que o grupo americano investirá no Brasil R$ 1,2 bilhão no próximo ano. Os investimentos servirão para a construção de 36 novas lojas e um centro de distribuição. Vicente Trius disse que o Brasil é hoje o quarto mercado mais importante para a estratégia de crescimento do grupo, atrás de México, Canadá e Inglaterra, noticia O Estado. Não é importante, nem relevante, mas a informação perdida numa matéria da Folha com um mais um capítulo das investigações do valerioduto mineiro é certamente curiosa: Aécio Neves foi sócio de uma empresa de aluguel de carrinhos de bebê em shopping centers de 1996 até o início de 2003, quando assumiu o governo mineiro. E eu que achava que o Aécio nem gostava de bebês.
(Atualizado às 10h19) |
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O Filtro de 27 de Novembro
Lula muda o time Para usar uma metáfora futebolística tão apreciada no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o esquema de jogo para tentar aprovar a emenda da CPMF e escapar do rebaixamento de impostos em 2008. O pior é que - como no caso do Corinthians do presidente - só faltam jogos difíceis e o time é ruim de doer. O que fez Lula: primeiro mudou o centroavante. Saiu o encrencado Walfrido dos Mares Guia e entrou José Múcio no Ministério da Articulação Política. Depois, como mostra hoje O Globo, ele cancelou o envio do projeto de reforma tributária prometido para dezembro. "Nós não vamos ganhar nenhum voto com o envio da reforma e ainda podemos perder alguns", afirmou Lula aos ministros. Não foi só. O governo decidiu ainda retardar ao máximo a análise do Orçamento da União do próximo ano. Na visão governista, não havia sentido aprovar um texto antes de saber se poderá contar com os recursos da CPMF.
A oposição e o Estado tentam dar aos recuos um tom de escândalo, mas é como reclamar que um adversário que precisa do empate vai jogar com três zagueiros e quatro volantes. Faz parte do jogo. A questão é que, como todas as bananadas do ex-ministro Walfrido, o governo Lula caminhava a passos céleres para uma derrota histórica no Senado. O governo sabe desde janeiro que precisaria de votos para aprovar a CPMF no Senado. Empurrou a votação com a barriga e, agora, descobre que não tem votos, não tem articuladores e a maioria dos senadores só vota em troca de um carguinho aqui outro ali. Enfim, o governo pode até ganhar a votação na última hora, mas será mais pelo peso da camisa do que pela competência.
No meio do rame-rame dos políticos, uma proposta inteligente é a do empresário Benjamin Steinbruch, na Folha: criar na reforma tributária um freio que obrigasse o governo a devolver à sociedade as receitas de impostos cujo crescimento superasse o crescimento do PIB. Isso criaria, ao mesmo tempo, um limite para a carga tributária e para os gastos do governo.
Dias melhores virão Notícia boa não vende e O Estado publica burocraticamente a melhor notícia do dia. A consultoria Economist Intelligence Unit prevê que a economia brasileira irá crescer acima de 4% nos próximos cinco anos. A reportagem prefere destacar o lado ruim do relatório ("a continuidade dos problemas nos mercados financeiros mundiais também aumentou os riscos para o Brasil, já que o nível da dívida pública ainda é alto". E "o crescimento brasileiro vai continuar bem inferior às taxas vistas em muitos outros mercados emergentes, especialmente na Ásia."). É verdade, mas compare isso com o histórico brasileiros. Entre 1995 e 2005 (incluídos aí os melhores anos do Plano Real), o país cresceu 2,3% ao ano, em média. De 2003 para cá, a taxa foi pouco maior que 3%. Portanto, estamos falando da perspectiva de alguns dos melhores anos das últimas décadas. Bata na madeira três vezes.
De olho em Silvinho O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, propôs a suspensão do processo do mensalão em relação ao ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, qualificado por ele na denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) como integrante do "núcleo central da quadrilha", informa O Globo. Vamos por partes: a denúncia contra Silvio Pereira, o Silvinho, era a mais inepta de todo o processo. Apesar de ter aceito um jipe de presente de um empreiteiro, Silvinho não era, oficialmente, funcionário público e não tinha poder aparente de mando para dar algo em troca. Portanto, há bons motivos para a Procuradoria imaginar que (com um bom advogado) Silvinho terminaria livre de todas as acusações. Mas não é só isso. O que o procurador está tentando é fazer com que alguns dos denunciados do processo do mensalão delatem os outros. O falastrão Silvinho vai topar?
De olho em Minas A Folha revela que uma ex-funcionária do gabinete do deputado estadual tucano Mauri Torres, líder do governo Aécio Neves (PSDB) na Assembléia de Minas Gerais, foi beneficiária de recursos do valerioduto tucano em 1998. Em 22 de outubro daquele ano, três dias antes do segundo turno das eleições, Marlene Aranda Caldeira recebeu R$ 20 mil de uma conta da SMPB Comunicação, agência de publicidade de Marcos Valério. Essa é mais uma pedra das investigações do valerioduto mineiro que, indiretamente, acerta Aécio. A Procuradoria Geral da República pediu investigação sobre o secretário de Governo de Minas, Danilo de Castro, e apresentou denúncia contra Eduardo Guedes, ex-subsecretário de Comunicação na primeira gestão de Aécio. A resposta do governador: "Não há nenhuma citação, nenhum envolvimento do governo em absolutamente nada disso. Cada um pessoalmente vai dar as suas explicações", disse.
O Ministério Público Eleitoral sugeriu ao Tribunal Superior Eleitoral a rejeição das contas de campanha do candidato do PSDB à Presidência em 2006, Geraldo Alckmin, dizendo que há irregularidades na contabilidade do comitê financeiro, informa, discretamente, a Folha. Alckmin, como você se lembra, era o candidato que se apresentava como campeão da ética em 2006. A montanha-russa Para dar uma idéia da crise dos bancos nos EUA: o Citigroup recebeu ontem uma injeção de US$ 7,5 bilhões do governo de Abu Dhabi. Mas, como nota o The Wall Street Journal e o Financial Times, nem isso atenuou o temor no mercado. Só o Citi tem uma perda admitida de US$ 11 bilhões em papéis podres do mercado imobiliário americano. Neste mês, o índice Dow Jones registra perdas de 8,52%, e a Bolsa Nasdaq já recuou 11,10% . A Bovespa, que ontem caiu 3,12%, já acumula baixa mensal de 9,57%, no pior mês dos últimos dois anos.
Mesmo assim, as perspectivas no Brasil são boas. A demanda por ações da oferta pública (IPO) da Bolsa de Mercadorias&Futuros já atingiu entre R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões, ou seja, de quatro a cinco vezes o valor da oferta original, estima o Estado. A Vale e os investimentos Em entrevista a O Estado, o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, anunciou investimentos em quatro novas siderúrgicas. “Já temos três siderúrgicas (uma em parceria com a alemã ThyssenKrupp, em construção, e outras duas em projeto, em parceria com a chinesa Baosteel e com a coreana Dongkuk), no valor de US$ 17 bilhões, e em breve teremos mais uma”, disse. Várias A União Européia está disposta a baixar as tarifas de importação de cereais (exceto a aveia) devido a quebra na produção, noticia o Financial Times. Conhecendo a força do lobby agrícola europeu, é melhor esperar para ver. A Agência Nacional do Petróleo começa hoje o leilão de centenas de blocos marítimos de óleo e gás, com uma perspectiva de arrecadar R$ 1 bilhão. O Estado informa que dez áreas de petróleo na camada de pré-sal da Bacia de Santos, com características semelhantes à mega-reserva de Tupi, irão a leilão no primeiro trimestre do ano que vem. O Estado mostra que a adolescente de 15 anos violentada por presos de Abaetetuba com o inestimável apoio da polícia do Pará já havia sido detida e libertada oito vezes nos últimos meses. A primeira prisão em flagrante foi informada à Justiça em 25 de julho. O registro da última detenção, quando L. já estava confinada com os homens, data de 31 de outubro. A menina era considerada adulta pela justiça e comparecia às audiências sozinha, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Globo informa que, em tempo recorde, a Secretaria de Segurança do Pará se antecipou à chegada da comissão do governo federal e concluiu a varredura nas 132 delegacias do interior paraense em busca de mulheres presas em celas masculinas. Agora é tarde. Depois da crise aérea provocada pelo motim dos controladores de vôo, agora parte dos trabalhadores das empresas aéreas que atuam em terra ameaça entrar em greve nas próximas semanas, caso não haja sucesso nas negociações com as companhias, previstas para hoje, informa O Globo. Ontem, a Aeronáutica desligou sete sargentos da carreira militar no Cindacta-1 (Brasília) e afastou outros 11 no Cindacta 2 (Curitiba) devido ao motim em 30 de março.
O governo da Bahia decidiu implodir o estádio da Fonte Nova, onde sete pessoas morreram soterradas no domingo, informa o Estado. A Folha informa que estudo do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia) pede reformas em 80% dos principais estádios do Brasil.
Bancados pelos contribuintes brasileiros, vereadores de diversos municípios do país viajam para o exterior com a desculpa de participar de congressos. Em alguns casos, os eventos são desmarcados por falta de quorum, mas as despesas pagas são garantidas mesmo assim, como no caso do 7º Congresso Sul-Americano de prefeitos, vereadores e assessores, em Buenos Aires, em que tudo foi pago com verba pública, informou ontem o Jornal Nacional.
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O Filtro de 24, 25 e 26 de Novembro
O leilão Essa é a semana decisiva para entender qual a aposta no potencial mercado brasileiro de petróleo depois do anúncio da descoberta de um megacampo de óleo na Bacia de Santos. Amanhã e quarta-feira, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) faz a licitação de 271 blocos de exploração de gás e óleo em áreas marítimas que vão da divisa do Pará com o Maranhão até a do Paraná com Santa Catarina. Há duas maneiras de ver esse leilão. Pelo lado do copo meio vazio, é uma decepção: os 41 blocos que ficam na área de Tupi, onde foi feita a descoberta da Bacia de Santos, estão foram da disputa. E não está claro quando e como Tupi será explorado. Pelo ângulo do copo cheio: o leilão inclui novas fronteiras de possíveis descobertas num momento em que o barril de petróleo namora com o preço de U$100.
O Estado vai na linha pessimista. Descreve que esse será o leilão mais conturbado dos últimos dez anos e critica o governo por mudar as regras. “A dúvida é se o Brasil quer se alinhar a países que estão se fechando, como Venezuela, Bolívia e Equador ou a outros que mantêm políticas abertas ao investidor estrangeiro, como Chile, Peru e Colômbia. Há pouco tempo, qualquer analista colocaria o país junto ao segundo grupo. Agora, porém, o próprio governo chega a falar em contratos de partilha de produção, modelo no qual uma companhia estatal é usada para regular o setor”, diz a advogada Marilda Rosado, ex-superintendente de licitações da ANP no governo FHC.
Já O Globo destaca a possibilidade do leilão quebrar os recordes de arrecadação de R$ 1 bilhão. “O governo está fazendo tudo para aguar o negócio, mas será um sucesso porque o mercado mundial está muito positivo”, diz o advogado Raphael Martins. O fato é que vai vir gente de todo lugar para o pagode do Vavá. O leilão tem 67 empresas inscritas, sendo 35 estrangeiras (Esso, BP, Shell, etc) e 32 brasileiras, da onipresente Petrobras, até os estreantes Vale do Rio Doce e Eike Batista.
Ao Valor, o eterno ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que o governo não tem pressa para definir o destino dos 41 blocos de Tupi. "Estamos avaliando e agora aguardamos os estudos que estão sendo feitos pela Petrobras. Vamos esperar para termos mais subsídios para tomar decisões, dada a importância do assunto. Mas uma coisa precisa ficar clara, vamos entregar esses blocos para o Brasil e não para a Petrobras", disse.
Lula fala, fala… A edição dominal de O Globo destaca a entrevista com o presidente Lula. Poucas novidades. Trechos:
(Sobre os gastos da máquina): “Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro seria ótimo. Não vamos melhorar a saúde sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor”. (Sobre as demissões no IPEA): “Você há de convir que o (presidente do IPEA) Pochmann tem o direito de dizer ‘eu quero tal pesquisador comigo e não quero esse’. É o mínimo”. (Sobre a Venezuela): “O regime político da Venezuela, o mandato do presidente, é um problema do povo venezuelano. Ao Brasil, interessa ter uma relação do Estado brasileiro com o Estado Venezuelano”. “Quem se submete a uma eleição tem que se submeter ao resultado dela. O Chávez está convocando um plebiscito. Se ganhar, ótimo. Se perder, ótimo. Ele vai acatar o resultado”. (Sobre um terceiro mandato para ele): “Fiz uma profissão de fé de dizer que não toco mais nesse assunto. Ninguém me ouviu falar em terceiro mandato. Acredito na alternância de poder, porque o povo tem a cada eleição a chance de escolher o melhor. Pode dar certo ou não, mas tem a chance. Não quero mais falar nesse assunto”. (Sobre uma possível candidatura da ministra Dilma Roussef): “Eu nunca apontei (ela como candidata). Nunca nem perguntei”. …mas quem acredita? A questão toda é que o fantasma do terceiro mandato continua rondando o imaginário dos analistas. Pegue o caso de Andres Oppenheimer, o Miami Herald, dos mais respeitados ‘latinoamericanista’ dos Estados Unidos. Escrevendo sobre a mudança que as reversas de petróleo de Tupi podem trazer ao país, Oppenheimer escreveu: “Eu não consigo parar de imaginar se o Brasil, que tem uma das gritantes diferenças de renda do mundo, terá a capacidade de resistir a um populismo movido a petrodolar. Mas nós teremos um dica em breve. Se Lula, que recentemente anunciou que não irá concorrer a um terceiro mandato, decidir mudar a lei e concorrer de novo, pode ser o primeiro sinal de contágio do petro-populismo”. Ok, mas se Lula diz que não vai tentar um terceiro mandato e muita gente não acredita, qual o efeito disso na vida da dona Maria? Simples. É uma coisa que se chama percepção. O diário americano The Wall Street Journal traz uma grande reportagem sobre o paradoxo russo. O país tem indicadores de crescimento próximos dos da China e superiores aos do Brasil, mas recebe menos investimentos pelo temor da turbulência política e desmandos do governo Putin. A melhor sugestão (bom dia, ministro Franklin; bom dia, ministro Múcio) foi feita recentemente pelo repórter Ricardo Amaral, em artigo na Época: Lula jogar seu peso para fazer aprovar no Congresso o projeto que acaba com toda reeleição. Simples e barato. O risco da CPMF Alguns líderes do governo avaliam a possibilidade de não conseguir aprovar a emenda da CPMF até o final do ano, o que significaria para o governo perder, no mínimo, três meses de arrecadação. Nesse cenário, prevalece a tese de que seria melhor do que sofrer uma derrota no plenário. A arrecadação anual prevista é cerca de de R$ 40 bilhões. Se a CPMF não for aprovada neste ano, será considerada "novo imposto" e, portanto, só poderá ser cobrada depois de três meses (a noventena) , a ser contada depois da data que a emenda for promulgada, informa Folha. Delfim, o otimista O líder do governo entre os empresários, o ex-deputado Delfim Netto, concede entrevista para lá de otimista ao O Valor. Diz que o país pode crescer 6% a 7% ao ano. Melhores momentos: * “Caiu a ficha do governo federal. Houve alguns sinais importantes dados pelo ministro que considero talvez o mais eficiente do governo, que é a Dilma Rousseff. No começo, os atrasos nos leilões de concessão faziam com que ficássemos desconfiados de que eles queriam devolver para o Estado todas as tarefas. Era aquela ameaça: vai recriar a Telebrás, vai recriar a Diabobrás. O que demorou foi o governo entender que poderia transferir para o setor privado algumas tarefas e, ao mesmo tempo, proteger o consumidor”. * “O Lula é o salvador do capitalismo, porque é óbvio que antes de voltar a crescer, estamos indo para uma sociedade que eu nem sei se é mais justa, mas ela se pensa mais justa, ela se percebe mais justa”. * “Sem investimento em infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 100. Com investimentos de infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 80. Os investimentos em infra-estrutura significam aumento da produtividade do sistema econômico brasileiro, ou seja, significa a capacidade de resistir a uma valorização maior do que sem ele. É claro que tudo seria muito melhor se o Brasil acordasse para o fato de que precisa uma taxa de juro real igual à do mundo”.
O horror O repórter Rafael Guedes, de O Liberal, traz o horror do depoimento da menina trancafiada entre vinte presos durante um mês na delegacia de Abaetetuba (PA). Ela foi estuprada, torturada, queimada, teve os cabelos cortados e ameaçada de morte. “Eles (os presos estupradores) diziam ‘Tu vai ficar com fome?’ Aí eu ia com eles. O melhor dia é quinta-feira, porque as mulheres deles vêm e aí eu fico livre”, disse a menina de 15 anos. Imagino que a chocada governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), vai se dizer “consternada” com o depoimento. Dá vergonha. A tragédia da Fonte Nova Menos de um mês depois de o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia da Bahia ter divulgado problemas no estádio da Fonte Nova, uma tragédia: uma parte do anel superior do estádio cedeu às comemorações da classificação do Bahia à segunda divisão do campeonato Brasileiro, deixando pelo menos sete mortos - várias pessoas caíram pelo buraco. Além disso, cerca de 150 feridos foram atendidos por causa da queda de um alambrado durante a invasão ao gramado, informa o site G1. "A Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (ligada ao governo da Bahia) já havia sido informada de que o estádio era precário. O órgão tem de ser responsabilizado", disse a delegada Maria Andrade Ramos. Depois das mortes, o governador Jacques Wagner (PT) decidiu interditar o estádio. Tarde demais. Por que não te calas? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desceu ao mais baixo nível da sua carreira ao, sem citar Lula, afirmar que “queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. FHC cometeu um erro de gramática, outro de educação e desmereceu a sua biografia. Alguém (bom dia, governador Serra, bom dia, governador Aécio) deveria dizer a ele que o seu momento passou. Várias Com um mês de atraso, o diário espanhol El País reporta o anúncio de mais verbas para a compra de armamentos pelo Exército brasileiro. Depois de um mês fingindo que a investigação da Polícia Federal era coisa de república de bananas, a direção mundial da Cisco Systems Inc. reconheceu que a sua filial brasileira cometia fraudes fiscais. Ela decidiu demitir o seu vice-presidente para a América Latina,Carlos Carnevali, depois que uma “investigação interna descobriu que ele falhou em cumprir o código de conduta da empresa”, no eufemismo da agência Bloomberg. Ah, bom foi pelo código, não pelo R$1,5 bilhão de impostos que o rapaz sonegou. O diário portenho Pagina 12 traz a cuidadosa entrevista da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner. Diz generalidades, defende a entrada da Venezuela no Mercosul e promete boas relações com o Brasil. "Por que a aproximação com o Brasil deveria supor um afastamento de Chávez, ou minha aproximação com Chávez um afastamento do Brasil?", pergunta.
(Atualizado às 11h05) |
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O Filtro de 23 de Novembro
Pau que bate em Chico Quase quatro meses depois de obter a abertura de processo de investigação no Supremo Tribunal Federal contra a cúpula do PT, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, desnorteou o PSDB. Ontem, ele denunciou 15 pessoas, entre elas o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG), de terem desviado R$ 3,5 milhões de verbas públicas para a campanha tucana de 1998. Embora esperado, o anúncio veio justo no dia em que o PSDB abria o seu Congresso para planejar a eleição presidencial de 2010. Antes, porém, terá que prestar contas sobre 1998.
O Globo observa que as reações dos tucanos foram similares às do presidente Lula no caso do mensalão. "Se houver culpa, que se puna", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa repetição quase literal da justificativa de Lula. Pré-candidato a presidente em 2010, o governador Aécio Neves classificou a denúncia como um "percalço". Ahã, sei. É lógico que o procurador estragou a festa do congresso tucano. Mas resta ainda a boa análise feita por Caio Junqueira, no Valor. Ele compara as propostas da craição do PSDB em 1998 com as atuais e detalha como o partido que nasceu "progressista" se tornou mais conservador. "A proposta de programa (atual) mais se assemelha a um manifesto de defesa da era FHC, facilmente notado pelo alto número de conjugações de verbos no passado. Termos como "promovemos", "avançamos", "introduzimos" e seus similares são constantes", escreve. Com a denúncia, Walfrido abandonou o cargo de ministro da Barganha Política, ops, Relações Institucionais do governo Lula. No seu lugar, entra o deputado José Múcio (PTB). A Folha recorda que Múcio foi citado na denúncia do mensalão entregue ao Supremo Tribunal Federal como um dos articuladores do acordo fechado entre as cúpulas do PT e PTB que previa o pagamento de R$ 20 milhões dos petistas aos petebistas. Parte desses recursos foi paga por meio do esquema de caixa dois comandado pelo publicitário Marcos Valério - o mesmo que tanto ajudou Azeredo em 1998.
Meirelles e a exuberância O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se disse ontem preocupado com a "exuberância" no preço das ações brasileiras, em meio ao bom momento da economia. "Todas as experiências de expansão prolongada das economias de qualquer país trazem consigo o risco de exageros, de exuberância e de euforias. Temo que possa haver exagero de precificação de alguns ativos. E exageros de precificação levam depois a alguns exageros de correção. No momento em que tudo está indo muito bem -e tudo indica que vai continuar bem- é importante termos cuidado para não correr o risco do exagero da euforia", disse, segundo e Folha. Traduzindo: parte do crescimento de ações na Boverspa não é real, é bolha que pode estourar.
Crime e castigo Excelente artigo do coronel da reserva e pesquisador José Vicente da Silva Filho na Folha coloca os pingos nos is no combate à violência. Ele escreve: "O Estado de São Paulo deve registrar neste ano 8.000 assassinatos a menos do que em 1999, uma redução de 72%. Nova York demorou dez anos para façanha semelhante; Bogotá, 12 anos. O que fez diferença em São Paulo foi a prisão de 700 mil criminosos em sete anos. Nem o governo federal, nem os intelectuais, nem os tucanos reconhecem esse fato. Dois grandes entraves ideológicos prejudicam sistematicamente as medidas de redução da violência no país. Um deles é a mania de pensar o criminoso como vítima da pobreza e da injustiça da sociedade, concedendo-lhe, em decorrência, uma profusão de benefícios absurdos, como visita íntima nas prisões, liberdade provisória para autores de crimes hediondos, volta às ruas dos bandidos após cumprir um sexto da pena, ou considerando cruel e desumano o isolamento em cela individual dos piores criminosos. A pobreza não é fator criminógeno tão poderoso quanto a impunidade, cujo maior exemplo é o escárnio do criminoso paraibano Ronaldo Cunha Lima. Pobres, ricos, pretos, brancos, eleitos e eleitores cometerão menos crimes se forem intimidados por ações competentes e ágeis da polícia e da Justiça".
Cadê a Ana Júlia? O Jornal da Globo trouxe ontem o terceiro caso de mulher presa em celas de delegacias do interior do Pará junto com dezenas de homens. Em todos os casos, elas sofreram estupros em série. Em Tucuruí, um movimento de mulheres afirma que é comum presas serem colocadas junto dos homens. O pai da garota de 15 anos que ficou na mesma cela com 20 homens, em Abaetetuba, diz que foi ameaçado pela polícia para forjar uma certidão de nascimento falsa para a filha - notícia que correu o mundo e ontem bateu no site de notícias Canada.com. Em uma semana, a imprensa provou três casos de mulheres presas junto com dezenas de homens. Em todos os casos, a reação da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi de se dizer "chocada" e "surpresa". Os paraenses merecem mais.
A primeira-dama O Extra traz a melhor cobertura sobre a prisão da namorada do traficante Fernandinho Beira-Mar, Jaqueline Alcântara de Moraes. Mesmo preso em uma penitenciária de segurança máxima do país, Beira- Mar continuou comandando uma das principais quadrilhas do país. Jaqueline (que era morena ao ser presa com Beira-Mar em 2001 e estava loira ontem) foi presa com US$ 200 mil para 'despesas' do traficante. Durante as investigações, a PF diz ter apreendido 750 quilos de cocaína e 4 toneladas de maconha.
Várias O governo vai criar incentivos para baratear os conversores da TV digital, também chamado set top box. A idéia é dar aos conversores as mesmas isenções que o 'computador popular'. Pelas regras atuais, as fábricas dizem que o set box vai custar mais de R$ 500. Com as isenções, o preço pode cair pela metade, informa O Globo.
Depois de Belo Horizonte, São Paulo e Recife, o caderno de turismo do The New York Times tece loas à Bahia. Milhões de dólares de publicidade da Embratur não valem tanto quanto o início da reportagem: "O Brasil está para o "cool" como a China está o comércio".
(Atualizado às 9h50) |
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O Filtro de 22 de Novembro
“O medo venceu a ganância” O temor de que o anunciado tropeço da economia americana termine provocando terremotos pelas bolsas assombra o mundo, destaca hoje o diário britânico Financial Times. “Nessa semana, o medo venceu a ganância”, definiu James W. Paulsen, do fundo Wells Capital Management ao The New York Times. Nos EUA, o índice Dow Jones fechou ontem em seu nível mais baixo desde abril. No Brasil, a Bovespa acumula queda de 6,2% nesta semana depois da desvalorização de 2,81% no pregão de ontem. Ocorreram quedas em Londres (-2,5%), Frankfurt (-1,47%) e Paris (-2,28%). Hoje, feriado americano de Ação de Graças, a bolsa de Tóquio encerrou em alta de 0,34%, equilibrando perdas depois de bater no ponto mais baixo em 16 meses. Enquanto isso, o índice MSCI, que reúne os principais mercados da região Ásia-Pacífico menos o Japão, caminha para registrar o pior desempenho mensal desde setembro de 2001.
Mas, por enquanto, avalia o mesmo James Paulsen, a crise está restrita a Wall Street. “Essa coisa não é a respeito das pessoas perdendo emprego ou salário (a economia real). É mais sobre a demissão de presidentes de companhias, bancos reconhecendo suas perdas em Hedge Funds e Wall Strett e o Banco Central colocando as suas diferenças em pratos limpos”.
E o Brasil pode ser afetado? Sim e não. As economias emergentes (leia-se China, Índia, Rússia e Brasil) estão no melhor momento da sua história, independentes dos humores dos investidores externos e com fabulosas reservas cambiais. Mesmo assim, uma queda na economia americana vai afetar o crescimento pelo mundo, como previu a última edição da The Economist. Qualquer tremor americano trará conseqüências naturais para países exportadores como o Brasil. Mas se você quiser ser otimista, essa crise pode ser uma grande chance. Com a ameaça inflacionária nos EUA e a crise bancária nos dois lados do Atlântico sobram dois caminhos para os fundos de investimento. O primeiro é a segurança dos títulos governamentais. O segundo, aponta o Financial Times, é aplicar nas bolsas de valores cujas avaliações de riscos estão superestimadas. A reportagem cita México, Hungria, Indonésia e... Brasil.
A sorte e o juízo Poucos analistas foram tão felizes em situar esse momento do Brasil quanto o historiador britânico Kenneth Maxwell na sua coluna na Folha. Escrevendo à partir da “sorte” da descoberta do campo de petróleo de Tupi, Maxwell escreve: “mas o Brasil já teve sorte no passado. As primeiras indústrias têxteis da Europa no século 16 eram ávidas usuárias do corante extraído das árvores de pau-brasil. O país dispunha de várzeas tão ricas no século 17 que ninguém antes havia visto a cana-de-açúcar crescer tão rapidamente e propiciar tamanhos lucros. No século 18, o ouro e os diamantes eram tão abundantes que ajudaram a reconstruir Roma e a capitalizar a Bolsa de Valores de Londres. Depois veio o boom da borracha no começo do século 20, e a descoberta de Carajás, em 1967 (...) O problema sempre esteve na forma pela qual os recursos financeiros gerados por esses booms foram utilizados. Boa sorte seguida por bom juízo”. Irretocável. Boas notícias não vendem Numa clássica cena de “A Montanha dos Sete Abutres”, o repórter interpretado por Kirk Douglas diz que “más notícias vendem mais porque boas notícias não são notícias”. É o raciocínio que explica muito do pessimismo no jornalismo em qualquer redação do mundo. No Brasil, chamam isso de “imparcialidade”. Essa desconfiança faz com que nas últimas semanas a boa vontade com o Brasil esteja mais presente na imprensa estrangeira do que na nacional. Agora foi a vez da revista americana Time destacar o crescimento econômico promovido pelos governos “esquerdistas” do Brasil, Argentina e Chile. “É o socialismo pragmático. Esses países estão se equilibrando entre Milton Friedman e papai Noel”, diz Jerry Haar, professor da Universidade Internacional da Flórida, se referindo à política brasileira de gerar superávits fiscais com políticas de assistência social.
Duas boas notícias tiveram pouco destaque na imprensa brasileira. A indústria está bastante otimista para 2008, segundo Sondagem da Indústria da Transformação Quesitos Especiais, que será divulgada hoje pela Fundação Getulio Vargas. Todas as previsões para faturamento, investimentos e pessoal ocupado são mais promissoras do que as de 2006. E o desempenho do comércio varejista neste Natal será o melhor dos últimos dez anos, segundo previsões do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). As 28 grandes redes varejistas que integram a entidade devem encerrar 2007 com crescimento real de 12% nas vendas na comparação com 2006. O emprego direto no setor nesse período subiu 12,3%, totalizando 383 mil postos de trabalho, informa O Estado. A pressão Em entrevista a O Estado, o diretor da Standard & Poor’s, David Beers, mantém a pressão internacional sobre reformas na economia brasileira. A S&P é a responsável pela classificação de risco dos países e todo mundo imagina que, no ano que vem, irá conceder ao Brasil o “investment grade”, classificação que irá aumentar o fluxo de investimentos. Beers diz que não é bem assim. “(O investment grade) Não ocorrerá automaticamente. O Brasil precisa manter suas políticas fiscais e monetárias com responsabilidade e mostrar que tem condições para crescer com sustentabilidade. Isso será fundamental para nossa avaliação e de todo o mercado”, diz. O gás mais caro e mais raro O preço do gás natural no país deverá ser reajustado em 10% já em janeiro, antes mesmo da conclusão das negociações entre Petrobras e distribuidoras, que podem elevar o preço em 15% a 25%, informa O Estado. A projeção é da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) e considera a evolução do custo da cesta de combustíveis ao qual o preço do gás vendido no Brasil está atrelado.
Já O Globo destaca que a falta de chuvas pode levar o governo a acionar as usinas termoelétricas. Nesse caso, o gás natural da Petrobras será desviado das distribuidoras para as usinas e, naturalmente, irá faltar para indústrias e donos de carros. Walfrido sai O Estado adianta que o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, acertou ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o seu afastamento do governo. Nos próximos dias, Walrido será denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no caso do mensalão mineiro. “Saindo a denúncia, ele já disse ao presidente Lula que leva apenas uns 15 minutos para deixar o governo”, disse ao Estado o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB). Vitória de Pirro Depois de cinco horas de discussão que envolveu até negociações de cargos com o PMDB, o governo conseguiu aprovar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a constitucionalidade da entrada da Venezuela no Mercosul. Foram 44 votos da base aliada a favor e 17 votos contrários do DEM, PSDB e PPS, informa a Folha. Os jornais deram destaque, mas essa é uma vitória de Pirro. O difícil mesmo será o governo aprovar a Venezuela no Senado. Tião e o decoro Renan Calheiros renovou por mais 35 dias a sua licença do posto de presidente do Senado. Com isso, o Palácio do Planalto vai armar uma estratégia para que a CPMF seja votada antes da escolha do novo comandante da Casa. Pressionado a explicar as manobras para não misturar as votações da CPMF com o julgamento de Renan, o presidente interino do Senado, Tião Vianna (PT), saiu-se com o decoro exemplar dos parlamentares. “Se alguém estiver aborrecido com o bom cumprimento do regimento (do Senado), como se diz popularmente, em sinônimo, dane-se", disse em O Globo. A punição Ontem, a justiça federal bloqueou os bens dos donos das empresas Skymaster e Beta, envolvidas até o último fio de cabelo no escândalo do mensalão do governo Lula. A investigação teve início a partir de denúncias de Época em junho de 2005. Ontem também, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, disse que as “novas provas” sobre o mensalão entregues ao STF (Supremo Tribunal Federal) são perícias feitas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal que rastrearam o dinheiro movimentado no esquema, entre as quais uma que comprovaria o uso de verba pública no caso do fundo Visanet, ligado ao Banco do Brasil. Traduzindo: essas provas não são novas. Vergonha, vergonha A polícia do Pará que ficou famosa no mundo todo por matar sem-terras, agora ganhará reconhecimento por incentivar o estupro de presas em suas delegacias. Ontem, o Jornal da Globo mostrou um segundo caso de presa jogada em cela junto com dezenas de homens. Nesse segundo caso, uma mulher de 23 anos estava à disposição para a violência sexual de 70 homens numa delegacia em Parauapebas.
Na segunda-feira, o JG havia denunciado o caso da garota de 15 que passou um mês numa cela com 20 homens, no município de Abaetetuba. Ao invés de visitar as mulheres vítimas de sua polícia, de ordenar um rastreamento em todas as delegacias do Estado, enfim, de mostrar para o quê foi eleita, a governadora Ana Júlia (PT) estava ontem no Rio. Em entrevista, se disse “chocada” com o caso. É pouco, muito pouco.
Qual máfia você prefere? Depois de seu sucesso com blogueiro, Cesar Maia decidiu acumular o cargo de prefeito do Rio com o de pauteiro dos jornais. Ontem, ele denunciou que a máfia chinesa controla a produção, a distribuição e a venda de produtos piratas no centro do Rio, com um esquema que inclui trabalho semi-escravo em um navio e a conivência da Marinha. O Globo foi atrás da pauta e mostra que, temendo os chineses, os camelôs cariocas agora preferem a “máfia árabe”. Várias A proposta de aumento de capital da Cosan S.A., anunciada na segunda-feira, provocou uma queda recorde nas ações da maior companhia de açúcar e álcool do País. Ontem, as ações ordinárias da Cosan caíram 13,96%, informa O Estado. O BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, decidiram vender até 4,5% das ações do BB por meio de uma oferta pública que terminará no dia 17 de dezembro. A operação será semelhante à feita em junho do ano passado, quando o Tesouro Nacional vendeu R$ 2,27 bilhões em ações. A expectativa é que a operação movimente cerca de R$ 3,2 bilhões, informa a Folha. O presidente Lula autorizou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a estimular a importação do conversor de sinal da TV digital caso a indústria cobre R$ 750 ou mais pelo equipamento. O governo quer reduzir o custo do conversor para algo em torno de R$ 250, no máximo. A importação reduziria o preço do aparelho, noticia a Folha. Caras dedica onze páginas (isso mesmo, onze) aos elogios da ministra Marta Suplicy a uma promoção da própria revista e de um banco para a escolha das sete maravilhas do Brasil.
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O Filtro de 21 de Novembro
O fim do discurso do caos Faltando pouco mais de um mês para o prazo final para a aprovação no Congresso da prorrogação da CPMF, o governo Lula ficou sem o seu principal argumento. Pela primeira vez, a ameaça de que sem a CPMF o serviço público iria parar foi torpeada com dados do próprio governo. Ontem, a Receita Federal comemorou a arrecadação entre janeiro e outubro de R$ 35,69 bilhões a mais do que era esperado. A diferença equivale à previsão de arrecadação de R$ 36 bilhões da CPMF deste ano, destaca O Globo.
Os brasileiros pagaram R$ 11,3 bilhões em Imposto de Renda de janeiro a outubro deste ano, 41,5% a mais que no mesmo período de 2006, já descontada a inflação. Se a arrecadação é recorde e a economia vai bem, o que o Estado deveria fazer? "Temos uma oportunidade histórica de fazer a reforma tributária com essa arrecadação. Difícil é fazê-la quando o dinheiro está curto", disse à Folha o professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga, que propõe uma redução na carga tributária. Óbvio essa não é a intenção do governo, que aproveitou o novo número da Receita para aumentar em R$ 5 bilhões a previsão de gastos no orçamento de 2008.
O esforço do governo Lula pró-CPMF está ameaçado por uma insolúvel fragilidade na base do Senado. Semanas atrás, chegou-se perto de um acordo em que o PSDB daria os votos necessários para a prorrogação da CPMF em troca de uma diminuição na alíquota nos próximos anos. O acerto furou e o governo voltou a depender dos seus velho método de convencimento, usando verbas e cargos públicos para obter votos. O Estado mostra que, até agora, Minas, governada pelo tucano Aécio Neves, favorável à CPMF, foi o Estado que mais recebeu recursos. Foram R$ 62,3 milhões. A Folha relata que o ministro Walfrido dos Mares Guia recebeu ontem o descontente senador Magno Malta (PR), que viu um aliado seu ser demitido sem aviso prévio da companhia Docas do Espírito Santo. Depois da conversa, Malta admitiu que seu "não" à CPMF pode mudar. Já o apressado anúncio da nova siderúrgica do Ceará (leia nota abaixo) visa agradar não só o tucano Tasso Jereissati mas também a aliada Patrícia Saboya (PDT), que já mandara recado de que votaria contra o governo. E Cristovam Buarque (PDT-DF) diz que aceita conversar se houver garantia de que a Educação estará a salvo da DRU, que permite remanejar até 20% do orçamento de cada área.
A situação ficou mais complicada porque além da distribuição de benesses, o governo precisa controlar os ânimos do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros. Dono de meia dúzia de votos no Congresso, Renan só aprova a CPMF se for absolvido da série de crimes de que é acusado. Ontem, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT), adiou para a primeira semana de dezembro o desfecho do processo de cassação contra Renan. Em três anos Notícia número 1 - o presidente Lula pediu ontem à sociedade formada pela Companhia Vale do Rio Doce e a coreana Dongkuk Stell Mill que inaugure até 2010 a usina siderúrgica no Ceará. A Vale e a Dongkuk assinaram memorando de entendimento, primeiro passo para concretizar o projeto, cujo investimento inicial é avaliado em U$ 2 bilhões, informa a Folha.
Notícia número 2 – O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, anunciou que a empresa poderá produzir 100 mil barris de petróleo e 1,5 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia em um projeto piloto até 2010, relata também na Folha.
Conclusão óbvia: Lula e seu governo farão tudo para inaugurar o que puderem até 2010, último ano do mandato. O preço do caos Saiu o primeiro grande número dos prejuízos com o caos aéreo dos últimos meses. Sem contar as horas de desespero dos milhares de passageiros, a conta inicial sai em US$1,7 bilhões apenas na rotas internacionais. Esse é o valor que o Brasil teve de déficit nos últimos doze meses com a perda de mercado para as companhias estrangeiras. Segundo o Valor, com a quebra da Varig e a os acidentes com aviões da Gol e TAM, a perda de divisas na aviação equivale a um quarto dos pagamentos líquidos de juros da dívida externa pública e privada previstos para 2008. Nos últimos quatro anos, o déficit na conta de passagens aéreas do balanço de pagamentos se multiplicou por quatro. Na Europa, a saída do mercado da BRA deixou as ligações aéreas para Portugal totalmente nas mãos da TAP, que já tem 66 vôos semanais entre os dois países. Ontem, o ministro da Defesa, Nélson Jobim, descobriu que as companhias estão cancelando vôos para juntar passageiros de horários diferentes nos mesmos aviões. Segundo o governo, 20% dos vôos são cancelados no Brasil, contra 12% na média internacional. A pesquisa sem embrião A Folha traz a reportagem mais completa sobre a descoberta de duas equipes independentes de cientistas que anunciaram a possibilidade de geração de células-tronco sem o uso de embriões. Os pesquisadores dizem ter conseguido fazer com que células humanas adultas da pele passassem a agir como se fossem células-tronco de embriões. O uso terapêutico das células-tronco pode abrir uma avenida no tratamento de doenças degenerativas, como diabetes e mal de Parkinson. O problema é que, para obtê-las, era necessário até agora destruir embriões. Mas há muito o que descobrir. O competente Marcelo Leite escreve na Folha que ainda é cedo para comemorar. Já o The New York Times mostra que a Casa Branca e os grupos religiosos americanos estão exultantes por terem encontrado um argumento científico contra a pesquisa com embriões. É luxo só O crítico musical Gary Gaddins, The New Yorker, se desdobra para a performance da baiana Rosa Passos em um show na casa Blue Note. Explica as diferenças da bossa nova tocada nos EUA e no Brasil, explica a influencia do bebop em Tom Jobim e arremata com o maior elogio que Rosa Passos pode ter recebido, “ela é mais que uma cantora, ela toca violão do jeito seu ídolo, João Gilberto”. Paulicéia desvairada Para comemorar o dia de Zumbi, a secretaria de Cultura de São Paulo encheu a capital de banners com fotos de grandes personalidades negras, entre elas a do escritor Mário de Andrade, autor de “Macunaíma”, “Paulicéia Desvairada” e um dos agitadores da Semana Cultural de 22. Pois hoje a colunista Mônica Bérgamo, da Folha, revela que a tal foto do banner é falsa. "Eu conheci o Mário de Andrade. Não é ele, uai! Eu olho e vejo que não é", afirma o crítico literário Antonio Candido. A secretaria municipal de Cultura foi avisada do engano, mas não fez a correção. O secretário estadual de Cultura, João Sayad, disse que “deve ser ele [Mário de Andrade]”. Ainda que a foto não seja do escritor, Sayad acha que "é ótimo que crie polêmica, porque chama a atenção". Chamar a atenção usando uma fraude é um desrespeito á inteligência dos outros. Várias A Votorantim Metais comprou ontem a U.S.Zinc, subsidiária do grupo americano Aleris International, por US$ 295 milhões. Com a aquisição, a Votorantim torna-se a terceira maior produtora de zinco do mundo, noticia a Folha. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) reduziu as projeções para a inflação e para o crescimento da economia em 2008. Ele não acredita que os EUA possam crescer mais de 2,5% sem aumentar a inflação, informa o Financial Times. O Globo conta a história de embrulhar o estômago sobre a adolescente de 15 anos que ficou um mês sendo violentada numa cela com 20 homens adultos em Abaetetuba, no Nordeste do Pará. Acusada de furto, a menina foi levada pela polícia na prisão masculina embora tivesse entregue um documento mostrando ser menor de idade. A Folha recorda que o novo presidente do PSDB de Minas Gerais, Custódio Mattos, recebeu R$ 20 mil do valerioduto tucano. Deputado licenciado e secretário de Desenvolvimento Social do governo Aécio Neves, Mattos teria recebido o dinheiro nas eleições 1998, segundo a Polícia Federal e a Procuradoria Geral República.
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O Filtro de 20 de Novembro
A vida com o dólar fraco Há uma ironia histórica na decisão anunciada ontem pelo presidente Lula e pela presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, de eliminar o dólar das transações comerciais entre os países. Depois de vinte anos de uma crônica falta de confiança externa, a dupla sul-americana melhorou ao ponto de não confiar mais na moeda americana para balizar suas exportações e importações. A medida reduzirá os custos das relações comerciais e, ao menos em um primeiro momento, será mais benéfica para a Argentina, como comemora o Clarín. Mas não estamos sozinhos. O The Wall Street Journal mostra que os países do Golfo Pérsico, que sempre ligaram suas economias ao dólar, também estão insatisfeitos com a moeda americana. Na cotação média mais baixa desde o fim do lastro-ouro nos anos 70, o dólar é responsável por um surto de inflação nos países produtores de petróleo.
Hoje, o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) divulga a ata da sua última reunião e apresenta as perspectivas econômicas para os próximos meses. A expectativa é de notícias animadoras, mas isso é fácil comparado com o desastre de ontem . A corretora Goldman Sachs recomendou a venda dos papéis do Citigroup pela suspeita de um novo rombo de US$ 15 bilhões em papéis imobiliários. A gigante européia do segmento de resseguros Swiss anunciou previsão de perdas de US$ 1,1 bilhão, também como reflexo de sua exposição a papéis atrelados ao setor de crédito imobiliário americano.O índice Dow Jones recuou 1,66%, ficando pela primeira vez abaixo do nível de 13 mil pontos desde meados de agosto. As ações européias fecharam em queda de mais de 2% e a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 3,52%. A possibilidade de um dia melhor fez com que a maioria das bolsas asiáticas desse sinal de recuperação nesta terça-feira. No Japão, o Nikkei aumentou 1,12% e o Shanghai Composite Index, da China, cresceu 0,45%.
Na avaliação de Celso Ming, de O Estado, a "paisagem econômica predominante é pesada e não deverá mudar tão cedo: é a da submersão da principal moeda de reserva do mundo, o dólar; de recessão econômica cada vez mais provável; de inflação global crescente à medida que avança a alta dos alimentos e dos combustíveis e a própria desvalorização do dólar, que encarece os importados nos Estados Unidos; e de novos desdobramentos para a crise do crédito hipotecário de alto risco".
Brasil potência Depois da revista britânica Economist na semana passada, mais loas da imprensa internacional à descoberta do campo de petróleo de Tupi. "Há poucas dúvidas que as descobertas darão ao Brasil novo peso contra Bolívia e Venezuela, não só na competição por mercado, mas também na arena política", afirma o The New York Times. "A descoberta pode transformar o Brasil num grande exportador", prevê a Business Week. Até o liberal Financial Times defendeu a decisão do governo de suspender o leilão de exploração das áreas do campo de Tupi. "As empresas que gastaram milhões para participar do leilão ficaram furiosas, mas é difícil imaginar qualquer outro governo agindo de forma diferente. Naturalmente é improvável imaginar que blocos de exploração sobre reservas que valem bilhões de dólares sejam leiloadas sob as mesmas condições das áreas com riscos normais', escreveu o diário inglês.
A roda da história O PSDB divulgou ontem o documento básico para atualização de seu programa, que será aprovado na convenção e no congresso do partido, quinta e sexta-feira. O texto defende o programa de privatizações iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso e prega um Estado regulador, com participação maior do mercado - um ano depois de Geraldo Alckmin ter demonstrado constrangimento em defender as privatizações do governo FHC, informa O Globo.
Sinceramente, se é isso que o PSDB quer apresentar para 2010, é pouco, muito pouco. O PSDB parece não ter entendido por que perdeu as eleições de 2002 e 2006. Recapitulando: o PT era o partido do "contra-tudo-que-está-aí" até descobrir que a maioria da população não era "contra-tudo-que-está-aí", que apoiava a estabilização econômica do governo FHC. Foi só quando incorporou a economia tucana ao seu discurso que o PT conseguiu vencer. É uma situação similar ao do PSDB hoje. Enquanto os tucanos mantiverem a idéia de que a maioria da população conta as horas para terminar o governo Lula, vão continuar os mesmos eleitores de sempre. E não vão ganhar eleição nenhuma. Falta um Bad-Godesberg (o histórico congresso em que os sociais-democratas alemães abandonaram o marxismo) para o PSDB superar os anos FHC e olhar para frente.
O PT sob investigação A Polícia Federal deverá abrir um novo inquérito sobre o caso Cisco para investigar especificamente a doação de R$ 500 mil ao PT pela ABC Industrial e Nacional Distribuidora de Eletrônicos Ltda. Segundo agentes ouvidos pela Folha, a ABC teria sido usada pela multinacional Cisco para pagar propina em troca de favorecimento em licitação na Caixa Econômica Federal.
Zumbi e os números Os estatísticos fazem a festa no dia de Zumbi. A Folha revela estudo da UFRJ e do Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais das Relações Raciais mostrando que os homens pretos e pardos morrem mais de homicídios e atropelamentos dos que os brancos. De 1999 a 2005, a taxa de assassinatos por 100 mil homens brancos caiu de 36 para 34 mortes. No mesmo período, a mesma taxa entre os homens pretos e pardos aumentou de 52 para 61 por 100 mil. Já O Estado traz pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) dissecando as diferenças de renda. De acordo com o estudo, o rendimento médio dos trabalhadores pretos e pardos é 44% menor que o dos brancos e amarelos.
Estatísticas são ótimas balizadoras, mas, como se sabe, sob tortura os números confessam qualquer coisa. Por isso, o debate sobre o fosso racial no Brasil precisa ser medido não por números, mas por palavras. Como as de Miriam Leitão, hoje em O Globo: "A mistura étnica que houve no país não demoliu , infelizmente, os muros do preconceito. A natureza de uma sociedade que é mestiça, mas que se separa; que se separa e nega; que nega para melhor se manter separada, é um desafio para estudiosos, acadêmicos e pensadores. O debate que os negros estão oferecendo ao país vai demolir apenas um mito: de que somos um país igualitário, sem racismo".
Várias A Gerdau, maior grupo siderúrgico nacional, comprou a americana Quanex (Macsteel), segunda maior fornecedora de aços longos especiais para a indústria automobilística dos EUA, informa O Estado e o The New York Times.
O correspondente do Financial Times Jonathan Wheatley escreve reportagem didática sobre o crescimento de mercado de ações no Brasil. Conta o avanço surpreendente nas regras do Novo Mercado da Bovespa e explica o fluxo de liquidez internacional para o Brasil, mas também mostra como os acionistas minoritários ainda têm por que se preocupar. "Nem todos os controladores se tornaram anjos do dia para a noite", escreve, se referindo ao grupo Cosan.
Para tentar embolar a votação da prorrogação da CPMF (o imposto do cheque) com o pedido de cassação do senador Renan Calheiros (PMDB) no plenário, o senador Arthur Virgílio (PSDB) retardou a apresentação do parecer sobre o caso, o que deverá adiar o desfecho do processo contra o peemedebista para a próxima semana. O caso é o referente à suposta sociedade entre Renan e o usineiro João Lyra para a aquisição de rádios e de um jornal em Alagoas. Na semana passada, o Conselho de Ética aprovou o pedido de cassação por 11 votos a 3. "Inocentemente, a gente pôs água nesse chope", diz Virgílio. A manobra não teve por objetivo só atrapalhar a votação da CPMF, mas também atingir no nascedouro a articulação de José Sarney (PMDB) para eleger Edison Lobão (PMDB), presidente da Casa, informa a Folha. |
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| Thomas Traumann |
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